terça-feira, 26 de outubro de 2010

Mata Atlântica



De cada cem árvores antigas restam cinco testemunhas acusando o inflexível carrasco secular. Restam cinco, não mais. Resta o fantasma; da orgulhosa floresta primitiva.
(Carlos Drummond de Andrade)


Mata Atlântica
A Mata Atlântica é bem diferente de sua vizinha mais famosa, a Floresta Amazônica. É também úmida, com média de 2000 mm de chuva por ano, mas não é tão quente como a outra, tendo a temperatura variando entre 14-21°C. Essa grande variação de temperaturas contribui para a imensa variedade de plantas e animais que a floresta abriga.
A Floresta Amazônica está mais ou menos à mesma altitude com a Bacia Amazônica. No entanto, a Mata Atlântica situa-se entre o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul e se espalha da costa marítima até as montanhas. A vegetação da floresta varia imensamente de acordo com a latitude e a altitude e como resultado temos várias classes de floresta. Isso significa que a Mata Atlântica pode alegar que tem bem mais biodiversidade que a própria Floresta Amazônica.
As diferentes classes de floresta encontradas na Mata Atlântica são:
  • Floresta tropical úmida. Encontrada na região das planícies costeiras, reconhecida por sua fisionomia densa e alta, uma camada mais escassa de árvores pequenas, arbustos e palmeiras e grande número de lianas e epífitas. Não sobrou muito desse tipo de floresta.

  • Floresta tropical semi-decidual. Encontrada nos planaltos, na região do interior do país, serras de SP, PR, MG. No Nordeste, caracteriza a transição de matas de brejos úmidos para vegetação da caatinga.
No Sul do Brasil esta floresta está salpicada com Araucárias. A floresta tem uma camada superior de 30m de altura e abaixo desta cresce uma camada aproximadamente de 20m de altura.
  • Floresta montanhesca baixa. Encontrada em altitudes acima de 800m do nível do mar. Tem entre 12 e 25m de altura, maior densidade de árvores menores e grande diversidade biológica. Acima de 1200m há vegetação de arbustos e mato baixo.

  • O mangue. Localizado ao longo dos estuários, distribuídos entre latitudes inter-tropicais. Ocorre em solos lodosos, deposição de sedimentos nos fundos das baías e nos estuários, sujeitos a influência das águas salobras.
A floresta do Centro de Pesquisas Iracambi está numa área com altitudes variando entre 800 e 1500m, classificada como floresta estacional semidecídua.
Plantas e Animais
A Mata Atlântica fornece habitats para flora e fauna mais ricas que a da Floresta Amazônica. (Veja a página da biblografia para referências bibliográficas).
Fazendo uma comparação, Minas Gerais tem área menor que o estado do Texas, nos EUA. Enquanto em toda América do Norte podem ser encontradas no máximo 810 espécies, somente no estado de Minas Gerais existem 750 tipos de pássaros.
Um número extraordinário de espécies são endêmicas, ou seja, são encontradas somente nessa região.
.São endêmicos:
  •  54% das árvores
  •  64% das palmeiras
  •  74% das bromélias
  •  40% dos mamíferos, borboletas, répteis, anfíbios e aves
  •  80% dos primatas
Só dos primatas existem 21 espécies e subespécies de macacos na Mata Atlântica, 14 dos quais estão em perigo. Desses 14, 13 não são encontrados em outro lugar algum, e muitos estão praticamente extintos. O Muriqui (Mono carvoeiro) corre maior risco de extinção do que o gorila das montanhas, com apenas 1.000 deles no mundo inteiro.
O triste fato é que a Mata Atlântica está sob uma grande ameaça junto com todas as criaturas que a usam como abrigo (80% das espécies em perigo no Brasil estão na Mata Atlântica).
A Destruição
Quando os primeiros portugueses se estabeleceram no Brasil, em 1532, a Mata Atlântica cobria mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, uma área equivalente a onze vezes o tamanho de Portugal. Hoje, só sobrou 8% disto.
Destes 8%, menos de 10% da floresta é primária, o resto já foi derrubado pelo menos uma vez, e portanto, sofreu muitas perdas na biodiversidade. As estimativas sugerem que em 500 anos a floresta voltará a ser "virgem". Mas a floresta que existe hoje não tem 500 anos para viver. A taxa de destruição só vem aumentando. Em 1988, a Mata Atlântica foi declarada patrimônio nacional e o governo proibiu a derrubada da floresta, mas em seis anos, entre 1985 e 1990, mais de 500 ha foram derrubados.
Na maioria da Mata Atlântica e provavelmente nas redondezas de Iracambi, a principal causa do desmatamento foi a plantação de café. Quando a floresta é destruída, a fertilidade da terra acaba rapidamente - apesar da abundância de vegetação na mata, o solo é pouco fértil. A floresta sobrevive através de relações complexas entre árvores, plantas, microorganismos, fungos de quem eles podem tirar nutrientes e sais minerais necessários para o crescimento. Se essas relações são destruídas, o solo pobre se destaca, e quando usado intensamente para plantações em menos de 20 anos a fertilidade acaba.
Tudo isso, mais uma economia instável, só poderia resultar em problemas.
Esses 500 ha de matas derrubadas entre 1985-1990, desapareceram porque na década de 80 a economia brasileira estava muito fraca. O Brasil, de repente começou a ter que pagar os empréstimos feitos durante a ditadura militar. Subsídios para agricultura foram cortados e a inflação aumentou muito, ao mesmo tempo em que o mercado mundial se virou contra a agricultura.
A pressão em cima dos produtores brasileiros para que eles explorassem ainda mais os recursos de suas terras foi imensa. A conseqüência disso foi a derrubada da floresta, o cultivo intenso das terras, e o desgaste rápido do solo.
Depois disso, os terrenos viraram pasto e foram destruídos pelo gado. A chuva lavou o que restava no solo e começou a erosão.
Com a camada superior do solo levada pela chuva, a terra é inútil. O fazendeiro terá que derrubar mais florestas para plantar e poder ganhar mais dinheiro.
Rosário da Limeira
A situação dos pequenos produtores desta região não é de fazer inveja. As estradas são de terra, com exceção das grandes rodovias que vão para cidades como Rio de Janeiro. Nas estações chuvosas, essas estradas de terra são impossíveis para grandes caminhões, deixando esses produtores isolados dos mercados que poderiam permitir que eles plantassem produtos que fossem alternativos ao café.

Apesar das previsões do preço do café não serem as melhores, o governo não tem feito esforço algum para procurar um substituto para a exportação. Na verdade o apoio que o governo dá aos pequenos produtores é limitado a pequenas linhas de crédito nos bancos, que além de tudo só financiam café. Esses produtores são forçados a plantar café, e a maioria deles, plantar mais significa derrubar mais florestas.
Essa pressão sobre os produtores que alimenta o desmatamento.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

MATA ATLÂNTICA

De cada cem árvores antigas restam cinco testemunhas acusando o inflexível carrasco secular. Restam cinco, não mais. Resta o fantasma; da orgulhosa floresta primitiva. 
(Carlos Drummond de Andrade)


A Mata Atlântica é bem diferente de sua vizinha mais famosa, a Floresta Amazônica. É também úmida, com média de 2000 mm de chuva por ano, mas não é tão quente como a outra, tendo a temperatura variando entre 14-21°C. Essa grande variação de temperaturas contribui para a imensa variedade de plantas e animais que a floresta abriga.


A Floresta Amazônica está mais ou menos à mesma altitude com a Bacia Amazônica. No entanto, a Mata Atlântica situa-se entre o Rio Grande do Norte e o Rio Grande do Sul e se espalha da costa marítima até as montanhas. A vegetação da floresta varia imensamente de acordo com a latitude e a altitude e como resultado temos várias classes de floresta. Isso significa que a Mata Atlântica pode alegar que tem bem mais biodiversidade que a própria Floresta Amazônica.


As diferentes classes de floresta encontradas na Mata Atlântica são:


Floresta tropical úmida. Encontrada na região das planícies costeiras, reconhecida por sua fisionomia densa e alta, uma camada mais escassa de árvores pequenas, arbustos e palmeiras e grande número de lianas e epífitas. Não sobrou muito desse tipo de floresta.









Floresta tropical semi-decidual. Encontrada nos planaltos, na região do interior do país, serras de SP, PR, MG. No Nordeste, caracteriza a transição de matas de brejos úmidos para vegetação da caatinga.


 
No Sul do Brasil esta floresta está salpicada com Araucárias. A floresta tem uma camada superior de 30m de altura e abaixo desta cresce uma camada aproximadamente de 20m de altura.
  • Floresta montanhesca baixa. Encontrada em altitudes acima de 800m do nível do mar. Tem entre 12 e 25m de altura, maior densidade de árvores menores e grande diversidade biológica. Acima de 1200m há vegetação de arbustos e mato baixo.
  • O mangue. Localizado ao longo dos estuários, distribuídos entre latitudes inter-tropicais. Ocorre em solos lodosos, deposição de sedimentos nos fundos das baías e nos estuários, sujeitos a influência das águas salobras.
A floresta do Centro de Pesquisas Iracambi está numa área com altitudes variando entre 800 e 1500m, classificada como floresta estacional semidecídua.

Plantas e Animais

A Mata Atlântica fornece habitats para flora e fauna mais ricas que a da Floresta Amazônica.

Fazendo uma comparação, Minas Gerais tem área menor que o estado do Texas, nos EUA. Enquanto em toda América do Norte podem ser encontradas no máximo 810 espécies, somente no estado de Minas Gerais existem 750 tipos de pássaros.

Um número extraordinário de espécies são endêmicas, ou seja, são encontradas somente nessa região.

São endêmicos:
  •  54% das árvores
  •  64% das palmeiras
  •  74% das bromélias
  •  40% dos mamíferos, borboletas, répteis, anfíbios e aves
  •  80% dos primatas
Só dos primatas existem 21 espécies e subespécies de macacos na Mata Atlântica, 14 dos quais estão em perigo. Desses 14, 13 não são encontrados em outro lugar algum, e muitos estão praticamente extintos. O Muriqui (Mono carvoeiro) corre maior risco de extinção do que o gorila das montanhas, com apenas 1.000 deles no mundo inteiro.


O triste fato é que a Mata Atlântica está sob uma grande ameaça junto com todas as criaturas que a usam como abrigo (80% das espécies em perigo no Brasil estão na Mata Atlântica).

A Destruição

Quando os primeiros portugueses se estabeleceram no Brasil, em 1532, a Mata Atlântica cobria mais de 1 milhão de quilômetros quadrados, uma área equivalente a onze vezes o tamanho de Portugal. Hoje, só sobrou 8% disto.

Destes 8%, menos de 10% da floresta é primária, o resto já foi derrubado pelo menos uma vez, e portanto, sofreu muitas perdas na biodiversidade. As estimativas sugerem que em 500 anos a floresta voltará a ser "virgem". Mas a floresta que existe hoje não tem 500 anos para viver. A taxa de destruição só vem aumentando. Em 1988, a Mata Atlântica foi declarada patrimônio nacional e o governo proibiu a derrubada da floresta, mas em seis anos, entre 1985 e 1990, mais de 500 ha foram derrubados.

Na maioria da Mata Atlântica e provavelmente nas redondezas de Iracambi, a principal causa do desmatamento foi a plantação de café. Quando a floresta é destruída, a fertilidade da terra acaba rapidamente - apesar da abundância de vegetação na mata, o solo é pouco fértil. A floresta sobrevive através de relações complexas entre árvores, plantas, microorganismos, fungos de quem eles podem tirar nutrientes e sais minerais necessários para o crescimento. Se essas relações são destruídas, o solo pobre se destaca, e quando usado intensamente para plantações em menos de 20 anos a fertilidade acaba.

Tudo isso, mais uma economia instável, só poderia resultar em problemas.
 
Esses 500 ha de matas derrubadas entre 1985-1990, desapareceram porque na década de 80 a economia brasileira estava muito fraca. O Brasil, de repente começou a ter que pagar os empréstimos feitos durante a ditadura militar. Subsídios para agricultura foram cortados e a inflação aumentou muito, ao mesmo tempo em que o mercado mundial se virou contra a agricultura.

A pressão em cima dos produtores brasileiros para que eles explorassem ainda mais os recursos de suas terras foi imensa. A conseqüência disso foi a derrubada da floresta, o cultivo intenso das terras, e o desgaste rápido do solo.
 
Depois disso, os terrenos viraram pasto e foram destruídos pelo gado. A chuva lavou o que restava no solo e começou a erosão.

Com a camada superior do solo levada pela chuva, a terra é inútil. O fazendeiro terá que derrubar mais florestas para plantar e poder ganhar mais dinheiro.

Rosário da Limeira

A situação dos pequenos produtores desta região não é de fazer inveja. As estradas são de terra, com exceção das grandes rodovias que vão para cidades como Rio de Janeiro. Nas estações chuvosas, essas estradas de terra são impossíveis para grandes caminhões, deixando esses produtores isolados dos mercados que poderiam permitir que eles plantassem produtos que fossem alternativos ao café.


Apesar das previsões do preço do café não serem as melhores, o governo não tem feito esforço algum para procurar um substituto para a exportação. Na verdade o apoio que o governo dá aos pequenos produtores é limitado a pequenas linhas de crédito nos bancos, que além de tudo só financiam café. Esses produtores são forçados a plantar café, e a maioria deles, plantar mais significa derrubar mais florestas.

Essa pressão sobre os produtores que alimenta o desmatamento.

ADAPTAÇÕES VEGETATIVAS E REPRODUTIVAS DAS PLANTAS DIANTE DA DIVERSIDADE DO AMBIENTE EM QUE SE DESENVOLVEM

As árvores do interior da mata são adaptadas à sombra, desenvolveram grande área foliar a fim de captar o máximo de luminosidade possível nessas condições. Tem espécies que passam toda a vida sombreadas e mesmo assim, são capaxes de produzir flores, frutos e sementes. Muitas árvores são esguias, sem ramos, a não ser na parte superior. É que devido ao sombreamento, os ramos inferiores foram eliminados.

Sobre os troncos das árvores encontram-se dezenas de orquídeas, bromélias, cactáceas, ou seja, epífitas perfeitamente adaptadas a vida longe do solo.Como as epífitas não mantém contato com o solo muitas vezes possuem problemas de nutrição. Nada retiram das árvores apenas buscam uma maior luminosidade e ainda retribuem o abrigo atraindo animais polinizadores, como o beija-flor. Nos troncos onde as águas das chuvas escoam rapidamente, as epífitas tiveram que se adaptar a secas periódicas, mesmo vivendo num ambiente úmido. Bromélias possuem folhas que formam um reservatório de água, na forma de um copo. Nesses reservatórios aquáticos podem viver algas, protozoários, vermes, lesmas e até pererecas constituindo uma pequena comunidade. As orquídeas, cactáceas guardam em suas suculentas flolhas a água que necessitam para a sobrevivência.

Epífitas


Há plantas que começam como epífitas e terminam como plantas terrestres. Suas sementes germinam sobre forquilhas de ramos ou axilas de folhas, onde foram depositadas por pássaros em suas fezes; suas raízes crescem em torno do caule da hospedeira, em direção ao solo, onde penetram e se ramificam; com seu crescimento em espessura acabam concrescendo umas com as outras formando uma coluna vigorosa, capaz de suportar sua copa, quando a hospedeira, com seu caule asfixiado no interior, morre e se desfaz. O exemplo típico é o Ficus, conhecido como mata-pau. Certas espécies nascem no solo, atingem com seu eixo principal ou com alguns ramos um suporte e nele se fixa; se porventura se desfizer a ligação, por qualquer motivo, com o solo, por exemplo por morte de parte do eixo em contato com ele, essas plantas passam a viver epifiticamente.





Na mata existe uma planta que abriga formigas, a embaúba, a única planta que fora da região amazônica se associa com formigas, enquanto lá os exemplos desta associação são numerosos. A formiga protege a planta contra a ação de predadores e essa árvore serve de abrigo às formigas. 

No chão da floresta alguns fungos, as micorrizos, formam-se junto às raízes das árvores onde auxiliam na absorção de nutrientes. 

Plantas saprófitas evoluídas a ponto de dispensar a clorofila, deixando de fazer a fotossíntese, vivem a custa de matéria orgânica em decomposição. São plantas esbranquiçadas que crescem em meio as folhas no chão da floresta.

Nesses matas são comuns as raízes tabulares e as raízes de escoras, que são dispositivos para se coletar oxigênio do ar, uma vez que a taxa de oxigênio do solo é pequena. Além disso solos muito úmidos não proporcionam boa fixação, assim as raízes tabulares aumentam a base de sustentação da planta. Devido a densidade da vegetação ser muito grande, os ramos nas copas das árvores se entrelaçam e as plantas assim se suportam reciprocamente e mesmo que os troncos sejam cortados, a árvore não cai por estar presa à copa. 

O chão da floresta é um verdadeiro berçário de plantas recém germinadas ou em vida latente dentro das sementes. Muitas dessas plantas podem passar anos aguardando que uma árvore caia, abrindo uma clareira para que tenham luz suficiente para crescer. Outras suportam até a passagem do fogo das queimadas para depois germinar e auxiliar na cicatrização da floresta. Algumas espécies como os manacás-da-serra e quaresmeiras produzem milhares de minúsculas sementes que o vento carrega e deposita sobre as áreas abertas onde rapidamente crescem fechando as "feridas".

Na floresta temos plantas que emitem odores atraentes ou até mesmo simulando uma fêmea de algum animal com a função de atrair polinizadores, tais como abelhas,vespas, moscas, besouros, borboletas, mariposas, aves ou até morcegos.

Durante o inverno, ipês e suínas exibem suas flores nos altos das copas ao mesmo tempo em que derrubam todas as folhas, tornando as flores visíveis a seus polinizadores a longa distância. Algumas espécies produzem suas flores junto aos troncos onde abelhas e outros polinizadores no interior da mata podem encontrá-las com mais facilidade. 

Há plantas que abrem ao entardecer no mesmo período de atividade de seus polinizadores, tais como pequenos morcegos.

Na dispersão das sementes tem plantas que produzem frutos ou sementes com asas ou longos pelos, valendo-se dos ventos para distribuí-las. Ourtas produzem frutos explosivos, que ao secarem lançam suas sementes à longas distâncias. Diversas plantas produzem frutos suculentos e coloridos que se prestam à alimentação de vários animais. Depois da digestão, estes seres defecam as sementes prontas para germinar.

As folhas são muitas vezes brilhantes, recobertas por cera, tendo superfícies lisas e pontas em forma de goteira. Todas essas características facilitam o escoamento da água das chuvas impedindo sua permanência prolongada, o que seria inconveniente sobre a superfície foliar porque pode obstruir estômatos, além de servir para, em suas gotas, se desenvolverem microorganismos que podem determinar doenças. Outros mecanismos são conhecidos tais como: caules e folhas pendentes, folhas de limbo em pedúnculos delgados e longos, que se curvam ao peso da água fazendo com que a ponta do limbo se incline para baixo, o que determina o escoar da água por ação da gravidade e com isso o peso do limbo diminui e volta à posição anterior.




ALGUMAS PRÁTICAS DE BAIXO IMPACTO PARA A NATUREZA


O USO DOS CAMINHOS


  • Sair em grupos pequenos. Os grupos grandes geram maior impacto que vários pequenos separados entre si.
  • Caminhar em fila sem sair do caminho. Caminhar disperso usando a borda do caminho, aumenta a erosão.
  • Evitar caminhar sobre solo molhado. O solo carregado de água é mais suscetível à deterioração.
  • Não caminhar com mascotes como cães ou gatos. Eles podem alterar a fauna local.
  • Manter baixo o nível de ruído. Os ruídos estranhos, alteram o comportamento da fauna e atrapalham pedidos de socorro. Melhore a qualidade da sua experiência na natureza.
  • Não cortar caminho nas curvas de nível. Andar por linhas de máxima pendente produz um alto grau de erosão do solo.
  • Fazer os descansos fora da picada e em lugares com pouca vegetação. Fazer os descansos sobre a picada obriga a outros caminhantes, a sair da mesma para passar pelo lugar.
  • Traga todo o lixo produzido de volta, separando e destinando a um lugar onde possa ser reciclado.
  • Em hipótese alguma abra novos caminhos, dê o direito ao próximo de estar em um local sem interferência. Todos os cumes da serra já foram subidos, não seja apenas mais um, mas sim aquele que foi gostou e não causou impacto.

NÃO CORTE A VEGETAÇÃO EM ZONAS DE ACAMPAMENTO:

  •  Acampar em lugares permitidos e em zonas livres muito freqüentadas, em lugares bem compactados.
  • Em lugares pouco freqüentados só acampar em locais livres de vegetação.
  • Nunca acampar em lugares ligeiramente compactados.
  • Sempre que possível faça bivaque.
  • Usar fogareiro em lugar de fogo.
  • Eleger um lugar suficientemente grande para o grupo.
  • Não construir estruturas de nenhum tipo.
  • Em zonas de acampamento usar calçado de sola macia como sapatilhas ou alpargatas.
  • Evitar o pisoteio de vegetação.
  • Lavar panelas, pratos e roupas somente com sabão branco e longe dos córregos de água, utilizando um recipiente.
  • Usar os banheiros se existirem, na falta, ir ao banheiro a mais de 50 metros dos cursos de água e enterrar os dejetos pelo menos um palmo.

EM ZONAS ONDE NÃO EXISTAM PICADAS: 

  • Dispersar as atividades e não caminhar em fila. Caminhar em fila onde não existe picada, deteriora o solo.
  • Eleger zonas de superfícies duráveis, como rocha, cascalho ou cursos de rios.
  • Eleger as zonas de acampamento em locais duráveis, livres de vegetação.
  • Disperssar as atividades quando se acampa.
  • Eliminar todas as evidências de acampamento antes de deixar o local.

Mata Atlântica

A SITUAÇÃO ATUAL DESSA FORMAÇÃO VEGETAL NO BRASIL DO PONTO DE VISTA DA PRESERVAÇÃO DE ESPÉCIES VEGETAIS E ANIMAIS


Um dos motivos para preservar o que restou da Mata Atlântica é a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas. Calcula-se que nela existam dez mil espécies de plantas, sendo 76 palmeiras, 131 espécies de mamíferos, 214 espécies de aves, 23 de marsupiais, 57 de roedores, 183 de anfíbios, 143 de répteis e 21 de primatas. Dentre estes animais estão vários morcegos destacando-se uma espécie branca. Dos símios destacam-se o muriqui, que é a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical, e o sauí-preto que é o mais raro dos símios brasileiros. Habitam também a mata diferentes sagüis, os sauás, os macacos-prego e o guariba que está se extinguindo. Dos canídios, o cachorro-do-mato é um dos predadores mais comum juntamente com o guaxinim, o coati, o jupurá, os furões, a irara, o cangambá, e felinos, como gatos-do mato que se alimentam de animais como o tapiti, diferentes ratos-do-mato, caxinguelês, cotias, outiço-cacheiro, o raro ouriço-preto, etc.



Ocorrem também na mata tamanduás-mirins, preguiças, e tatus, com destaque a preguiça-de-coleira que hoje em dia está tão escassa e já ameaçada de desaparecimento.


 
Entre 1985 e 1990 foram cortadas na Mata Atlântica 1.200.000.000 árvores. Apesar disso, a Mata Atlântica conserva sua importância em termos biológicos. O recorde mundial de diversidade de árvores pertence a uma área no sul da Bahia onde os botânicos registraram 450 tipos de árvores num único hectare, sendo que a maior parte deste imenso patrimônio era desconhecido. Ainda se tiram centenas de ervas medicinais e aromáticas para serem comercializadas tanto dentro do Brasil como com outros países. 

O mico-leão dourado é uma das espécies mais ameaçadas do mundo. Ele só é encontrado em uma pequena área de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Para evitar sua extinsão, é preciso garantir habitat suficiente para abrigar uma população de 2000 animais até o ano 2025. 

Devido a grande devastação dessa mata quase 200 espécies estão ameaçadas de extinção fora aquelas que já se extinguiram, metade das espécies vivas hoje poderá estar extinta até o final do próximo século. 

Hoje a maioria da área litorânea que era coberta pela Mata Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar. Aí ainda é possível ver o jequitibá-rosa, o gigante da floresta, as flores roxas das quaresmeiras e até alguns sobreviventes do pau-brasil. Embaixo das árvores, há pequenas árvores, arbustos e palmeiras, cobertos de bromélias e orquídeas. Encontramos morcegos, marsupiais, como o gambá e a cuíca; vários tipos de macacos; répteis como os lagartos, jabutis, cágados e cobras; as lindas borboletas que ainda não foram transformadas em quadros para turistas, e uma rica variedade de aves. 


PREJUÍZOS E BENEFÍCIOS DECORRENTES DA DESTRUIÇÃO OU PRESERVAÇÃO DESSA FORMAÇÃO VEGETAL NO BRASIL SOB O PONTO DE VISTA ECOLÓGICO E EVOLUTIVO

 
Atualmente, da segunda grande floresta brasileira restam apenas cerca de 5 % de sua extensão original. Em alguns lugares, como no Rio Grande do Norte, nem vestígios e o resultado é o agravamento da seca no nordeste. Sem a floresta, a umidade é insuficente para provocar as chuvas. E os ventos que sopram do mar, não encontrando a barreira da floresta, levam o sal natural para a região do agreste, prejudicando sua vegetação. Mas, os ventos deslocam as dunas, que assoreiam as lagoas existentes no litoral. Os grandes rios que cortam a área original da Mata Atlântica, o Paraíba, o São Francisco, Jequitinhonha, Doce e Paraíba do Sul, antigamente tinham águas cristalinas ou tingidas de preto pelas folhas em decomposição da floresta. Hoje suas águas são barrentas por causa dos sedimentos arrastados pela erosão do solo desprotejido de vegetação, ou tão poluídas que são um perigo para a saúde.

A Mata Atlântica é considerada atualmente um dos mais importantes conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais ameaçados. As pouquíssimas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer.

A destruição da biodiversidade e o desmatamento elimina de uma só vez grande contingente de espécies muitas vezes desconhecidas. Além disso homogeiniza o ecossistema quando se implanta a monocultura.

A destruição do solo e a retirada da floresta rompe com o sistema natural de ciclagem de nutriente. A remoção da cobertura vegetal fará com que a superfície do solo seja mais aquecida. Esse aquecimento aumentará as oxidações da matéria orgânica que se transformará rapidamente em materiais inorgânicos, solúveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam também de ser protegidos da erosão pelas chuvas. Estudos da Embrapa constatam que, dos 3,5 milhões de hectares de pastagens que substituiram a floresta, 500 mil se degradaram num intervalo de tempo de 12 anos, além das queimadas e carvoeiros instalados.

 No que tange as mudanças climáticas as florestas são responsáveis por 56 % da umidade local. Sua destruição elimina essa fonte injetora de vapor de água na atmosfera, responsável pelas condições climáticas regionais. Ao mesmo tempo diminui o poder de captura do CO2 atmosférico. 

As monoculturas implantadas em área de mata são mais sensíveis a pragas e doenças. O ecossistema sob estresse tem tolerância menor ao ataque de parasitas e doenças; consequentemente tem sido introduzidos nessas áreas grande quantidade de inseticidas e agrotóxicos para atacar as pragas, o que destrói ainda mais a diversidade de espécies e contamina os ecossistemas aquáticos.